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Jimi Hendrix, guitarra e revolução.


Um ano interminável. O povo querendo falar cada vez mais, se possível berrar. Movimentos em todas as tangentes surgindo por todo canto do planeta. Um choque de estilos, de governos, de palavras, de gestos e de reações. E a música embarcou na era das mudanças forçadas e foi o momento onde se firmavam bandas e músicos que mais tardes virariam verdadeiros Deuses, como é o caso de Beatles com Lennon e McCartney, dos Rolling Stones com a agressividade composta do Mick Jagger e do nosso homenageado do post, Jimi Hendrix, que junto com outras personalidades da meio musical fizeram acontecer no ano de 1968.

Abaixo, um texto importado da edição impressa do jornal O Globo do dia 18 de maio de 2008.

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GUITARRA ALÉM DAS PORTAS

HENDRIX FEZ A TRILHA SONORA DA REVOLUÇÃO COMPORTAMENTAL DA CONTRACULTURA

Um ano antes, os Beatles tinham escancarado as portas da musica pop com “Sgt. Pepper’s”, mas foi Jimi Hendrix quem melhor encarnou o espírito libertário de 1968. Ano de seu mais ousado trabalho, “Eletric Ladyland”, o disco duplo que levou seus ouvintes a um passeio pelo universo das percepções expandidas.

Além da musicalidade excepcional, reinventando a guitarra, muitos fatores contribuíram para ele ter se transformado num mito ainda em vida – e maior após a sua morte, aos 27 anos, em setembro de 1970, quando foi encontrado no quarto do hotel, asfixiado em seu próprio vômito. Roupas e cabelos eram escandalosos, assim como a sexualidade agressiva e explícita no palco, onde liderava um trio, o Jimi Hendrix Experience, completado por dois ingleses e brancos. Um grupo inter-racial era algo raro, como lembra, hoje, o guitarrista dos Mutantes Sergio Dias:

- A Europa sempre recebeu melhor os negros. Ele precisou ir para a Inglaterra para conseguir se expressar por completo e, a partir daí, derrubar fronteiras musicais, técnicas e comportamentais.

NO PALCO, ERA COMO UM ANIMAL SELVAGEM

Na época crítico de música, o depois produtor (Made In Brazil, Barão Vermelho, Cazuza) Ezequiel Neves também foi arrebatado pela estréia em disco de Hendrix, em 1967. Dois anos depois, experimentou-o no palco e...:

- Foi numa boate chamada Cheetan, em Nova York, onde cabiam umas 120 pessoas, e a sensação era a mesma de que ficar em frente a um animal selvagem – conta Neves. – Eu achava que estava preparado, sabia de todas as historias, que botava fogo na guitarra, mas ali, solto no palco, era amedrontador. Foi como um estupro, Hendrix não tinha pudor e, com inocência e naturalidade de criança, provocava um curto-circuito na gente com sua carga explosiva de musicalidade e sexualidade.

Hendrix foi contestador sem ser explicitamente político – mesmo que protestasse contra a guerra do Vietnã, simulando o som de bombas ao recriar o hino americano em Woodstock -, sua revolução era mais comportamental, de acordo com o ideário de nascente contracultura. Sua influência se espalhou pelo mundo todo. Em plena ditadura militar, o Brasil não ficou imune a Hendrix, que tocou especialmente os tropicalistas. Caetano Veloso foi um deles, como rememorou no livro “Verdade Tropical”: “Eu me impressionava com a modernidade de Hendrix (e disse isso a Augusto de Campos na entrevista para o ‘Balanço da bossa’): seu canto falado, sempre meio escondido atrás dos sons dos instrumentos, sua guitarra meio blues, meio Stockhausen, sua figura marginal, tudo fazia dele um emblema da época, tudo levava a pensar que neles os temas fundamentais se radicalizavam.”

Emblema que chegou até a Teresina, no Piauí, virando a cabeça do jovem Renato Piau, amigo do poeta tropicalista Torqueto Neto, e que, a partir dos anos 70, radicado no Rio, virou guitarrista de gente como Tim Maia e Luiz Melodia.

Li na revista “O Cruzeiro” uma reportagem sobre um guitarrista que tocava com os dentes. Logo depois, consegui um disco, o primeiro, “Smash hits”, e vi que ele ia além de tudo. O estilo de Hendrix virou referência para os guitarristas brasileiros, como a gente percebe ao ouvir Lanny Gordin nos discos da Tropicália, Sergio Dias nos Mutantes, Pepeu Gomes nos Novos Baianos.

“Electric Ladyland” foi o álbum no qual Hendrix pôde voar mais alto. Respaldado pelo sucesso dos dois discos anteriores, teve carta branca para se trancar no estúdio e explorar novos conceitos musicais e técnicas de gravação. Longas jam sessions aconteceram em Nova York, turbinadas por LSD e similares. Terminando as gravações, ao lado do engenheiro de som Eddie Kramer, ele gastou mais tempo ainda na finalização. Se a liberdade da criação era o lema, o detalhista e obsessivo Hendrix gravou e regravou vários trechos, superpondo diferentes vocais, solos de guitarra alterados. O resultado? Um ingresso para um admirável novo mundo musical: “Você já esteve na terra de dama elétrica? / O tapete mágico te espera / Então, não se atrase / Eu quero te mostrar as diferentes emoções / Quero te conduzir por sons e movimentos...”.

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Texto escrito para o jornal O Globo por Antônio Carlos Miguel.



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6 comentários:

leo1984 disse...

Hendrix é lenda eterna do rock.
Viveu pouco, mas sua obra sempre estará viva
Viva 1968!!!!!!!!!!

Vinicius Grissi disse...

Belo texto.

De fato, Hendrix foi um marco na história da música, não só do rock.

André Rocha disse...

Não tem para Jimmy Page, Keith Richards, Clapton, Jeff Beck e muito menos para os virtuoses que se preocupam mais com a velocidade do que com a criatividade.

Hendrix foi o maior de todos, pela inventividade com que criou novos sons e efeitos, mesmo com os poucos recursos tecnológicos da época. Fico imaginando o que ele faria com um Pro Tools da vida.

Ótima lembrança, Wilson! Um abraço!

André disse...

Hendrix é lenda eterna do rock.
Ótima lembrança, Wilson! Um abraço!

Carlão Azul disse...

Grande roqueiro J.Hendrix.

Saudações Celestes
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ENTREM E SINTAM-SE A VONTADE

lottery results disse...

Alla hu akhbar!!!