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Desisto do Dunga.


É uma pena eu chegar a essa conclusão, mas não dá.

Eu sempre vim defendendo o capitão do Tetra. Via enúmeras pessoas o criticando e sempre procurei rebater, muito mais pelo que ele fez nos campos, como um capitão, um líder, um combatente, ou seja, um profissional exemplar.

Comecei a acompanhar o futebol exatamente na Copa de 1994. De cara, passei a ter dois ídolos momentâneos: Dunga e Romário.

O Romário foi um jogador espetacular, pena não ter sido jogador em toda carreira. Dunga, ao contrário, foi o mesmo desde quando comecei a acompanhá-lo até o final, quando se aposentou em 99 pelo Inter.

Quando ele assumiu o comando técnico da seleção brasileira, fiquei triste de ver que ele aceitou trabalhar com o Ricardo "desastre" Teixeira. Eu sempre disse que quem tem dignidade, não trabalha com o atual presidente da CBF, mas mesmo assim, resolvi torcer por Dunga. Queria ver, mais uma vez, ele dando a volta por cima e mesmo não tendo o apoio massivo, mostrando que com trabalho e profissionalismo, conseguiria os resultados positivos.

Mas a falta de experiência falou mais alto...

Eu nunca achei que o Dunga propusesse um padrão tático de qualidade a seleção. Quando o defendia, o fazia visando o futuro, acreditando de forma visionaria que ele iria, junto com o Jorginho, se entrosar com a nova função, e um dia, deslanchar como treinador.

O jogo de ontem foi o estopim para eu ver que estava me iludindo por completo com relação ao Dunga. É óbvio que os jogadores tiveram enorme parcela de culpa. Não houve um, capaz de chamar a responsabilidade para si, ler o jogo, e perceber que algo de diferente dentro de campo deveria ser feito para que a retranca boliviana fosse vencida. As substituições do técnico da seleção, não foram absurdas, mas o incrível é a forma pragmática e previsível que o Brasil joga. Dunga até hoje não conseguiu estabelecer uma dinâmica de jogo. A quantidade de vezes que a defesa fica tocando pra lá e pra cá, chega a ser exaustivo e dar sono para quem esta vendo o jogo.

Existem problemas sérios e antigos que precisam ser resolvidos de forma urgente e não é o atual técnico da seleção que os resolverá. Talvez mais pra frente, Dunga reapareça no cenário futebolístico em algum time de menor expressão fazendo um bom trabalho e, principalmente, aprendendo os segredos da função. Seleção não é escola!

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Um rápido comentário sobre o jogo.

Quanto à partida, eu particularmente, esperava uma goleada emblemática no estádio João Havelange. Imaginei que a boa atuação diante do Chile, fosse se repetir, mas não, de uma forma rápida, o Brasil nos mostrou que em Santiago foi tudo atípico, acontecimentos extra-campo tiveram uma importante influência não apenas no resultado do jogo, mas também na forma que os jogadores entraram em campo. Na noite de ontem no Engenhão, tudo parece ter voltado ao “normal” e o Brasil está bem longe de ser aquilo que pretendemos.

Parabéns a Bolívia que conseguiu o que queria com a sua retranca que acabou sendo facilitada com a incompetência e inatividade do ataque verde-amarelo.



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7 comentários:

Diego Louzada disse...

Entre um chopp e outro no norte Shoppinh tive o desprazer de assistir o jogo. Fizemos um pequeno bolão sobre o placar e meu otimista 3x0 foi pro espaço. Venceu o pessimista que apostou no 0x0. Jogo patético. Pra treinar a seleção não é preciso saber muito de tática. É convocar certo, motivar e deixar fluir. O dunga não faz nada disso.

Abraço!

Ricardo André disse...

Os jogadores estão boicotando o treinador... Não mais lugar pra Dunga na seleção. Os caras sabem que daqui a dois anos tem a Copa e ninguém leva fé no teinador, por mais bem intencionado que ele seja. Os jogadores querem outro técnico. A torcida quer outro técnico.
E o "rabo de foguete" que era treinar a seleção depois da eliminação na Copa de 2006 (onde éramos francos favoritos) acabou chamuscando o Dunga, o que cedo ou tarde aconteceria.
É a demissão do Dunga é o último capítulo do processo de amortecimento do fiasco da Copa. Agora sim, sem Dunga, passaremos a pensar na Copa de 2010 com mais seriedade. A começar por um treinador experiente e tarimbado. Algum palpite?

Munigalo disse...

O jogo foi muito ruim, não aguentei assistir mais do que 20 minutos de jogo...Não concordo com o Dunga em convocar o goleiro Renan. Fico me perguntando se ele convocou o jogador só porque ele jogou no Inter. Eu sou mais o Diego Alves, não porque ele jogou no Galo, porque ele foi um dos goleiros na Espanha que ficou mais tempo sem tomar gols e não tem oportunidades com o Dunga...O Diego também não deveria estar na seleção, prefiro o Alex que vem jogando muito na Turquia. E acho também que o Mancini merece uma chance na seleção, nem que seja para jogar na lateral direita, ele é mil vezes melhor que o Maicon...
O que o Dunga precisa é abrir os olhos, enxergar mais.....
Abraço

Arthur Virgílio disse...

Quer dizer que Luis Felipe Scolari não tem dignidade só porque foi comandado por Ricardo Teixeira? Não sejamos tão crítico.

Wilson Hebert disse...

Amigo Arthur,

Confesso ter exagerado!

De fato o grande Luis Felipe Scolari é um homem com dignidade e sem dúvida nenhuma ele não precisa provar isso.

É verdade tambem que existem funcionários que tenham dignidade na CBF.

Assim como o Dunga não deixa de ser digno por trabalhar como técnico da seleção.

Mas reintero: Todas as críticas feitas a Ricardo Teixeira nesse espaço, são mantidas.

Abraços a todos que prestigiam o "Futebol, Música e Etc".

Wilson Hebert.

futeboldorio disse...

A Itália, que depois da Copa chamou o Donadoni, já corrigiu seu erro: técnico demitido. Não dá pra insistir muito no erro, principalmente em seleções tradicionais, como a nossa e a italiana. Promover um ex-jogador ao cargo de técnico, assim, sem experiência, é por demais arriscado.

Dunga começou bem, deixando medalhões no banco, fazendo mudanças, mas se perdeu. É hora de mudar de ares.

Seu emprego é muito cômodo: se trinufa, méritos pra Dunga. Se fracassa, "sempre foi assim".

André Rocha disse...

Wilson e Arthur,

Quanto ao Felipão é relativamente simples explicar.

Em 2001, a marca "seleção brasileira" chegou perto do fundo do poço com a derrota para Honduras na Copa América. Na época, o torcedor desesperado clamava por Scolari no comando técnico da CBF.

Sem muitas alternativas e acuado com a situação nas Eliminatórias pra lá de complicada, Ricardo Teixeira deixou suas "convicções" de lado e chamou um profissional que sabia que só aceitaria se tivesse carta branca para trabalhar. E foi o que aconteceu...

Depois da Copa, com o título no currículo e a moral de ter vencido sem se deixar levar por pressões externas, Felipão deu o fora, pois sabia que não teria estômago para conviver com os "esquemas" do chefe.

A situação atual é parecida. Se a coisa complicar nas Eliminatórias, Teixeira, que sabe que sua perpetuação no poder e sua ambição de FIFA dependem do futuro da seleção, esquece por um tempo seu "modus operandi" e contrata o técnico que o povo quer.

Hoje seria o Luxemburgo, por exclusão.

Abraços!