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Uma visão diferente sobre os amistosos da seleção.


Quando se anuncia mais um amistoso da seleção brasileira, é comum escutar torcedores reclamando de tais partidas. Os motivos são vários e há quase um consenso em torno deles. E por mais que o torcedor reprove esses confrontos sem ligação alguma com qualquer competição, o jogador que atua mal, é contestado como se tivesse participado de um jogo por algum campeonato.

Entre as causas que fazem os apaixonados por futebol do nosso país terem uma menor atração com esses eventos, está o fato da maioria deles acontecerem no exterior, mais notadamente na Europa. Como quase todos os jogadores atuam no velho mundo, torna-se mais viável marcar um jogo naquele continente e ter a liberação por parte dos clubes mais facilitada (ou menos dificultada). E cabe ao torcedor brasileiro (que não vive na Europa, ou seja, a grande maioria) ligar sua televisão e se ‘contentar’ em ver o jogo na sala de sua casa. Àqueles que costumam ir ao estádio, acabam por não criar com a seleção, o mesmo vínculo que cria com seu clube de coração, já que fica impossibilitado de acompanhá-la estando a poucos metros dos jogadores.

Outra situação que se nota é a falta de vontade por parte de alguns convocados. Pelo menos sob o ponto de vista daqueles que acompanham à distancia o dia-a-dia da seleção. Como muitos torcedores acreditam, 90% do motivo desses amistosos se dá pelo simples fato da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) faturar excelentes quantias monetárias com a realização desse turismo oferecidos aos jogadores (já que viajam para vários lugares do planeta) e a conseqüente realização de partidas amistosas. E seguindo a ótica desses “meros” expectadores da televisão, o jogador não entra em campo com a mesma determinação que teria por seu clube, por estar apenas cumprindo uma “obrigação” de representar, não o país, mas a organizadora do futebol nacional, para que esta tenha um (grande, gordo, sólido e extravagante) faturamento.

Mas após acompanhar Brasil 2x0 Itália, cheguei a uma diferente conclusão cujas quais costumo ter quando o assunto são os amistosos da seleção Canarinho. Inicialmente, posso citar que a teoria da má vontade dos jogadores com esses jogos “sem importância” caiu por terra, pelo menos na partida citada. Foi possível perceber jogadas duras de ambas as partes. A vontade de vencer estava estampada nos rostos dos jogadores, tanto os italianos como os brasileiros. A rivalidade também entrou em campo.

E outro fator que me fez ver com bons olhos o último amistoso da nossa seleção, foi uma leve comparação com o penúltimo amistoso (realizado na cidade satélite do Gama-DF quando o Brasil bateu Portugal pelo placar de 6x2). Apesar da positiva especulação que a mídia fez em torno do reformado estádio do Bezerrão, pude perceber que se comparado aos campos europeus, que os jogadores da seleção costumam atuar pelos seus clubes, o palco da partida contra os portugueses ainda deixa muito a desejar. Aliás, é bem difícil encontrar um estádio no Brasil que possa ser comparado com os bons estádios europeus.

Por esses dois motivos, pude concluir que na hora de se analisar os amistosos é preciso de cautela, inclusive para separar o nível desses jogos. Se o Brasil fosse jogar com um combinado, num território com pouquíssima tradição no futebol, e que se encontrasse em guerra, é óbvio que no que diz respeito a futebol, a partida não teria nada de bom. No caso do jogo contra Portugal, tínhamos um adversário forte, e que impunha respeito, entretanto, parece que nossos colonizadores não deram a mínima pra festa em torno de um estádio brasileiro que foi reformado. Isso pôde ser comprovado pelo placar final da partida.

Mas nesse último jogo contra a Itália, um adversário forte, respeitável, do nosso nível, tetra campeão mundial, e que teve como palco um belo estádio, num país com tanta tradição no futebol como as seleções envolvidas, foi a oportunidade de se ver um grande jogo, pelo menos em minha opinião. Não cheguei a vibrar com os lances, mas gostei de ver jogadores como Ronaldinho Gaucho, Elano e Robinho jogando com seriedade e alegria. Não foi um espetáculo, mas foi bem melhor do que a maioria dos amistosos chatos e burocráticos que a seleção faz. E pelo histórico do clássico, acredito que aquele torcedor brasileiro apaixonado por futebol, tenha sentido um orgulho (mesmo que mínimo escondido atrás do coração) de ter vencido a atual seleção campeã de uma Copa do Mundo.

9 comentários:

Danilo Damasceno disse...

Belo texto e bem esclarecedor sobre os amistosos, concordo com vc. Sobre o jogo de hoje, eu vibrei nos toques rapidos nas jogadas de alegria mas com objetivo, isso é seleção, o Dunga tb me calou a boca a respeito do jogador Felipe Melo, que pra mim foi o melhor em campo, e que agora na minha opinião deve ser o novo titular da posicão.Abração

Fernando Gonzaga disse...

assino embaixo de suas palavras meu amigo...

exatamente isto que penso sobre amistosos da seleção...achei estranho a formação italiana do primeiro tempo, um time longe de suas origens, com a marcação falha e a defesa vulnerável...sobre nossa seleção, não entendo como o Maicon e o Gilberto Silva possam ser titulares...o e Pato deveria ser testado muito mais cedo...no demais, foi válido o jogo...

abraço!!

Mengão Guerreiro disse...

Acho q a falta de interesse pelos jogos da seleção por parte dos brasileiros não se dá unicamente pelo fato dos jogadores atuarem na europa. Isso já ocorre há alguns anos e sempre tivemos paixão pela seleção. O q tira o nosso interesse é exatamente ver jogadores descompromissadoscom o jogo. E isso tem ocorrido frequentemente. Esse foi o motivo do engenhão e maracanã ficarem vazios nos últimos jogos. Se a seleção voltar a jogar, no mínimo, como jogou ontem, o povo volta a se interessar pelos seus jogos. Nós só queremos aquela vibração de volta.

ABços

Mengão Guerreiro disse...

Aí Wilson, qnd for colocar o link, põe Mengão Guerreiro. Flamengo até morrer era a minha ideia de endereço do blog, mas já tinha, aí coloquei mengão guerreiro,e só pra me satisfazer coloquei o título lá de Flamengo até morrer. Mas o nome do blog mesmo é Mengão Guerreiro. Abração e obrigado pela força.

Carlão Azul disse...

Sim muito bom o texto.
Só divirjo quando disse que os nossos "colonizadores" não deram a mínima para o jogo, se é que isso é o que vc quiz dizer.

Não creio nisso, embora o placar tenha sido mesmo bastante surpreendente.

Abração Wilsão...


Saudações Celestes

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Gremista Fanático disse...

Se o Brasil tivesse forçado mais ou jogado com mais seriedade poderiamos ter vencido de goleada como contra Portugal, tem horas que Robinho e Ronaldinho parecem dois bobos em campo. abraço.
Saudações do Gremista Fanático

Maldita Futebol Clube disse...

òtimo texto, mas acho que os ingleses loptaram o estádio e mostram interesse pelo futebol Wílson e a seleção italiana estava mais vulneravel pela falta do Gatuso, mas mais do que isso quando Gaucho e Robinho estiverem inspirados pode ter 33 contra que eles dão conta. belo texto, bem citado o exemplo do amistoso contra os portugueses , mas continuo cético em relação a patria de chuteiras, quero ver os jogadores da minha terra, do meu clube, representando o meu pais, não um bando de estarngeiros que não valorizam o Brasil!

Brahma disse...

Concordo, finalmene a Seleçao Brasileira nao disputou um amistoso contra "cachorro morto" e aì os estimulos foram diferentes. Tambem concordo com o amigo Fernando. Esse Maicon aqui se tornou um verdadeiro xodo dos torcedores do Inter e os jornalistas todos se apaixonaram pra ele, mas eu acho ele nao à altura, acho, em geral, o Daniel Alves bem melhor.
Convido a nobre galera para ler a minha materia, onde conto algumas minhas experencias pessoais, sobre a Gavioes da Fiel.
Abraço

Sobre a bola disse...

Muito bom texto, Wilson. Sobre o amistoso de terça, chamaram a atenção os toques rápidos e a liderança que Felipe Melo exerceu ali no meio. Bela aposta de Dunga.
Outro ponto importante sobre este tipo de jogos, é que as seleções deveriam valorizar a vitória, principalmente quando o jogo é contra uma seleção de tradição, não substituindo o time inteiro aos 5 do segundo tempo.

Abraçosss