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Homenagem à Raul Seixas


Raul Seixas não nasceu pra música pra ser apenas um cantor. Não nasceu pro Rock pra ser apenas um ícone. Não nasceu pros seus fãs pra ser apenas um ídolo. Mas nasceu pro mundo, pra ser um poeta, um pensador, um produtor de frases de impacto, frases loucas, mas ao mesmo tempo sinceras. Raul conseguia transformar tudo aquilo que acontecia consigo em palavras. Do fracasso a vitória. Tudo ganhava formas verbais. Para ele, a vida era feita de tentativas...

“Um sonho sonhado só, é apenas um sonho. Um sonho sonhado junto é realidade.”

Raul Seixas nasceu na Bahia, no ano de 1945. Filho de pais burgueses e morador de um bairro de classe média, o jovem Raul recebeu muitas influências culturais em sua vida desde cedo. Foi um faminto pela leitura e apesar de ser dotado de uma incrível inteligência, Raul sempre foi uma negação na escola. De fato, era uma grande incoerência, mas enquanto ele devorava os livros em casa, repetiu por diversas vezes a segunda série ginasial.

Sempre conviveu com o rock n’ roll, já que por morar próximo ao consulado dos EUA em Salvador, tinha muitos jovens americanos (e roqueiros) como vizinhos. O gosto musical do astro do rock brasileiro era composto por Elvis Presley, Little Richard, Jerry Lee Lewis e Chuck Berry, e o blues dos negros do sul dos Estados Unidos, sem deixar de lado o baião de Luís Gonzaga e repentistas nordestinos. Em contrapartida, ele odiava a Bossa Nova.

Ele tinha tudo pra seguir a Tropicália, assim como seus músicos conterrâneos Gal Costa, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gilberto Gil, entre outros. Mas certamente, Raul teve uma cultura mais alternativa, se comparada aos outros jovens da Bahia na época.

Ao iniciar sua carreira como músico em 1962, montando sua primeira banda, Os Relâmpagos do Rock, (que após um tempo passaria a se chamar The Panthers e mais tarde Raulzito e os Panteras) Raul decide largar de vez a faculdade de Direito para se dedicar tão somente a música.

O ritmo tocado por ele era basicamente o bom e velho rock. Mas alguns elementos da música nordestina eram bem comuns nas suas canções, como o Baião, o Xaxado e a música brega. Na formação da sua banda, passaram nomes como Thildo Gama, Perinho (guitarra), Mariano Lanat (baixo) e Carleba (bateria).

Raul, enquanto músico e jovem foi definido por ele mesmo de uma forma que ficou marcada: “comecei a usar cabelo de James Dean, blusão de couro e beber cuba-libre, o que espantava meus pais burgueses de classe média”.

“Eu não sou louco. É o mundo que não entende minha lucidez...”

Forçando cada vez mais um ideal da sociedade alternativa da geração do pós-guerra e pelo misticismo, deu vida a sua anárquica guitarra e tornou-se um ícone na música e pensador de diversas gerações, que vão de jovens rebeldes da classe média e do subúrbio das grandes cidades, até empregadas domésticas, caminhoneiros, empresários e etc.

Na Bahia a banda de Raul grava um compacto que seria distribuído para rádios com duas músicas (sendo uma versão de Elvis Presley). Faz shows em clubes e emissoras de rádio e TV. Com isso, passa a ser o “embaixador” do movimento Jovem Guarda da época (liderado por Roberto Carlos, Jerry Adriani, Erasmo Carlos, Wanderléa e etc, por suas versões brasileiras dos sucessos dos Beatles).

Ao sair em turnê pelo Brasil abrindo as apresentações dos “Panteras” (banda de Jerry Adriani), grava seu primeiro LP auto intitulado. Mas o resultado do sucesso alcançado na Bahia, não se repetiu nas outras cidades do país. Volta para Salvador muito decepcionado e pensando em abandonar a música.

“Não diga que a vitória está perdida. Tenha fé em Deus, tenha fé na vida. Tente outra vez!”

Em 1972, enfim, Raul tem o seu devido reconhecimento nacional. No Festival Internacional da Canção (concurso de música montado ano à ano pela TV Globo, de grande projeção) Raul consegue classificar duas músicas para participação. Foram elas Let Me Sing Let Me Sing (que chegaria às finais) e Eu Sou Eu Nicuri é o Diabo.

O público recebeu o músico com muito entusiasmo após o festival televisivo. A partir daí, surge seu primeiro contrato com uma gravadora, a Philips Phonogram. Lança então um compacto de Let Me Sing Let Me Sing e o LP coletânea de covers: “Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock” (que nem mesmo traz o nome de Raul, sendo lançado sobre o nome de uma banda Rock Generation). O segundo compacto, Ouro de Tolo, foi o seu primeiro grande sucesso.

“Nunca é tarde demais pra começar tudo de novo...”

Em 1973, com o LP “Krig-Ha Bandolo!”, Raul forma uma parceria que lhe trouxe alguns dos momentos mais marcantes de sua vida. Ao lado de Paulo Coelho forma o grupo Sociedade Alternativa, anarquista, baseado na doutrina de Aleister Crowley e também destinado a estudos esotéricos.

Chegaram a projetar em Minas Gerais a comunidade alternativa Cidade das Estrelas. Devido ao encorajamento de disseminar idéias contrárias às apresentadas pelo governo militar da época, a dupla foi considerada subversiva. Raul (que aparentemente passou por sessões de tortura), Paulo e as respectivas esposas (Edith e Adalgisa) foram exilados nos Estados Unidos. Com isso, Raul conheceu durante o exílio alguns de seus ídolos, Elvis Presley, John Lennon e Jerry Lee Lewis.

“Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo“


Na volta ao país, em 1974, Raul lança Gita, o seu segundo LP. Provavelmente, este foi o lançamento de maior vendagem e repercussão. Ganhou disco de ouro e participação na trilha sonora da novela O Rebu.

Diante do incrível sucesso roqueiro que começava a se alastrar pelo país tomando inúmeros aficionados pelo fenômeno Raul Seixas, a Philips relança os “24 Maiores Sucessos da Era Rock”, porém com o nome de “20 Anos de Rock” e dessa vez com o nome de Raul e não da banda como feito anteriormente. Na sequência vieram LP’s de grande sucesso como, Novo Aeon, Há 10 Mil Anos Atrás (que marcou como sendo o último trabalho feito com Paulo Coelho), Raul Rock Seixas, O Dia Em Que a Terra Parou.

Chegando ao final da década de 70, Raul começa a apresentar sérios problemas de saúde em decorrência do seu alcoolismo. Mas mesmo assim, permanece lançando seus trabalhos. Em seguida, apresenta aos seus fãs Mata Virgem, Por Quem os Sinos Dobram e Abre-te Sésamo. Mas à medida que ele aumentava a dosagem de consumo do álcool, seus problemas se agravavam. Raul passava a sofrer de hepatite crônica e começava a deixar por um fio seus contratos e shows.

“Que capacidade impiedosa essa minha de fingir ser normal o tempo todo.”

Não demorou muito para Raul enfrentar uma crise (mais uma) na sua carreira de músico. Os primeiros anos da década de 80, foram de queda nas vendagens do seu último disco até então, e um longo boicote das gravadoras.

Mas em 1983, novamente Raul dá a volta por cima e estoura nas paradas com o Carimbador Maluco, que chegou a ser utilizada no especial infantil Plunct Plact Zumm da Rede Globo. Posteriormente surgem os discos Metrô Linha 743, Uah Bap Lu Bap La Bein Bum (com o que seria seu último grande hit, Cowboy Fora da Lei) e A Pedra do Gênesis (que cantou com faixas do Opus 666, projeto de Raul que acabou não sendo lançado).

Raul, apesar de estar compondo e gravando vive uma série de projetos furados, que acabaram não sendo lançados. Em 1988, sai em turnê com o também baiano Marcelo Nova, da extinta (na época) banda Camisa de Vênus.

Para os fãs de Raul, uma das datas mais tristes de suas vidas, foi em 21 de Agosto de 1989. Este foi o dia em que morreu Raul Seixas, apenas dois dias após o lançamento de A Panela do Diabo. A morte do astro do Rock se deu em virtude de pancreatite crônica, hipoglicemia e parada cardiorrespiratória, conforme constatado em seu atestado de óbito.

“Eu vou ficar, ah! Ficar com certeza, maluco beleza!”

Completando essa interessante, maluca e sincera historia de vida, Raul após a sua morte tem cada vez mais reconhecido o seu talento. Torna-se de vez um ícone não apenas do rock, mas da música brasileira. Vários registros póstumos e coletâneas são lançados de forma inédita garantido assim, a imortalidade da sua música.

“Pare o mundo que eu quero descer...”

*O tema desse post foi sugerido pelo amigo Danilo Damasceno do blog Pitacos do Bodaum.

8 comentários:

Gremista Fanático disse...

Grande Raul Seixas, um legitimo poeta musical, suas musicas até hoje e com certeza pra sempre serao muito ouvidas por quem gosta do bom e velho Rock. valeu.
Saudações do Gremista Fanático.

Maldita Futebol Clube disse...

raul legitima qualquer coisa, de uma crônia a um belo post como esse..Parbéns cara, sempre muito bom os seus artigos e não por conta disso , mas pela nossa Blogamizade", tem surpresa pra vc lá no blog, chega lá e confere ok? abs, leandro

Danilo Damasceno disse...

Cara primeiramente parabens pelo artigo que quem não conhecia a fundo a historia do rei do rock, agora pode conhecer e quem ja conhecia gostou mais ainda do texto. Ele realmente ficará marcado na história da musica. E por ultimo valeu mesmo por ter me dado a honra de ter sido quem sugeriu o tema, e pode ter certeza que sugerirei mais, pois aqui realmente é um blog de cultura e de pessoas inteligentes.Abração e obrigado

leo1984 disse...

Grande Raulzito
Grande compositor, cantor, grande vascaíno
Raul Seixas eterno!!!!!!!!!!!!!!!!

Mengão Guerreiro disse...

Pena que muitos artistas são mais valorizados após a morte. Pena tb q ele não gostava de bossa nova, que é uma delícia.
Muito boa essa história.
Abçs

Carlão Azul disse...

Raul era mais que um músico um pensador. Suas músicas sempre dizem mais do que querem dizer.

Abraços e...

Saudações Celestes

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snoopy em p/b disse...

wh,
que texto maravilhoso, cara.
primeiro, sou fã das músicas do raul. mas não conhecia sua história.
essa de ele ter participado da jovem guarda é novidade pra mim, ainda que eu goste do roberto carlos daquela época.
muito bom saber disso.

amigo, já que você acatou uma sugestão do danilo damasceno, queria te fazer outra.
que tal falar do "the doors" ou, quem sabe, dos "guns", de quem você também gosta, ou, ainda, do u2?
são três sugestões e ficaria feliz se você fizesse um texto sobre um deles.

abração!

Brahma disse...

Mais que um simples cantor...um filosofo, um incone, uma anti-bandeira, um estilo-nao estilo de vida,uma pessoa que nas horas mais desesperadas da sua vida pode te ajudar...nem que seja tomando aquela cachacinha juntos...
Adoro Raul e toda a sua produçao, possuo todos os cd's dele e sempre que eu tiver a oportunidade, divulgo o nome dele aqui na Italia.
Abraço