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Papo Firme com Luiz Mendes

Esse post foi publicado no blog Futebol & Arte e redigido pelo amigo e companheiro blogueiro André Rocha, que ao lado deste que vos escreve, teve o prazer de entrevistar um dos mais experientes (quiçá o mais experiente) jornalista esportivo brasileiro.

Confira um dos bate papos mais interessante do quadro "Papo Firme":

***

Ele tem 85 anos e começou a carreira aos 17. Foi locutor e comentarista. Gaúcho de Palmeira das Missões, veio para o Rio de Janeiro em 1944 e três anos depois estava na Rádio Globo. Em sua longa carreira de jornalista esportivo, só não trabalhou nas três primeiras Copas do Mundo. Em 1955, participou da inauguração da TV Rio e foi um pioneiro na mídia esportiva na televisão, criando programas como o “TV Ringue” e a primeira mesa redonda da história, a “Grande Resenha Facit”, na qual era o mediador e tinha na bancada jornalistas como João Saldanha, Armando Nogueira e Nélson Rodrigues. Trabalhou também na TVE e nas rádios Nacional e Tupi. Desde 2001 é “o comentarista da palavra fácil” na Rádio Globo.

Confira os melhores momentos "publicáveis" no momento (já que a entrevista principal foi para o próximo livro de Mauro Beting) do longo bate-papo recheado de “causos” que este blogueiro e o amigo e colaborador Wilson Hebert tivemos com essa verdadeira memória viva do futebol em mais um momento especial no nosso Futebol & Arte.

Jornalismo Esportivo

Eu vejo o atual jornalismo esportivo com um pouco de preocupação. Porque se criaram uma lei para que se estudasse Jornalismo nas Faculdades de Comunicação, a profissão deveria ser respeitada. Mas não é. Ex-jogadores e ex-árbitros de futebol são os comentaristas de hoje no lugar de jornalistas e, entre outros tantos erros, matam a Gramática. Não são todos, mas a grande maioria agride o bom Português. Nem isso levam em consideração. Os jornalistas que estão surgindo acabam prejudicados. Alguns conseguem entrar na SporTV e em outros canais e são realmente muito bons, promissores. Com boa presença e conhecimento. Outros são fracos. Hoje em dia não se exige que se tenha uma boa voz, nem no rádio nem na TV. Antes uma boa dicção era exigida aos profissionais.

Na época em que ainda não existiam as faculdades, nós adquiríamos na prática. Mas tínhamos o registro de jornalista, era obrigatório. Eu só pude ser contratado como locutor da Rádio Globo quando me registrei no Ministério do Trabalho. Antes, na minha carteira de trabalho constava “auxiliar de escritório” como função, embora ocupasse o microfone. O diploma era o do “prático licenciado”, digamos assim.

O grande responsável por este movimento de ex-jogadores que passaram a ocupar os microfones foi o Luciano do Valle, quando foi para a Bandeirantes nos anos 1980. E fez um grande mal ao jornalismo esportivo. Os meninos entram para a faculdade sonhando em se tornarem comentaristas e encontram a passagem tapada por esses ex-atletas. A meu ver é um problema legal.

A juventude atual é frouxa. Ela tinha que ir para as ruas protestar! Quando quiseram colocar o Fernando Collor fora do governo, eles foram para as ruas com as caras pintadas. Por que não fazer um movimento que obriguem as emissoras a contratarem os jornalistas formados? As organizações os aceitam como estagiários, mas na hora de contratá-los, mandam embora e aí vem o ex-jogador para ocupar o lugar.

Rádio

O rádio precisa construir o seu próprio futuro. Quando fugiu do formato da televisão ele conseguiu ser diferente. Antes era musical, tocava discos o dia inteiro e tinha programas com os cantores, rádioteatro...Mas a TV tomou conta. Aí o rádio investiu em notícia e esportes. E aí a TV veio e dominou também. Hoje o futebol é dominado pela televisão. Faz a tabela, por exemplo, colocando o Flamengo jogando no Maracanã várias vezes seguidas para fazer pontos e subir na tabela, com o intuito de aumentar a audiência. Ainda que no returno ele tenha que jogar várias fora, já vai com um bom número de pontos, disputando na parte de cima da tabela. O Maracanã sempre é mais Flamengo, nunca é neutro, mesmo nos clássicos regionais. O estádio do Flamengo não é a Gávea, não!

Mas isso é compreensível. A TV está pagando e ela faz com que o seu produto fique atraente ao grande público. E com esse domínio, o rádio tem que tentar fazer diferente para voltar a crescer. Eu acho que a cobertura do futebol poderia ser mais séria, mais sóbria. Mas ela procura o povão. Ela anuncia cerveja, refrigerante e outros produtos baratos. Ninguém anuncia geladeiras ou automóveis. Eu vejo como uma falsa impressão essa de quem as classes mais baixas são as que ouvem mais rádio.

O rádio tem a desvantagem de ser muito barulhento, tem muito ruído na transmissão. E a TV também comete alguns erros que o rádio poderia se aproveitar. Se a TV fosse perfeita, o narrador não precisaria gritar “Gooool!”, já que você está olhando para ela. No rádio o grito de gol é como uma sirene para alertar o ouvinte. Eu acho ridículo os escândalos que os narradores de TV fazem, principalmente nos gols da seleção brasileira. Quando eu narrei na TV eu fazia diferente. É lógico que você tem que falar o que está acontecendo, mas não precisa dizer, por exemplo, que o zagueiro tirou de cabeça. Ora, você está vendo a jogada! E tem coisas absurdas que são ditas tanto no rádio quanto na TV, como “bater na zaga”. A bola para bater na zaga teria que tocar em três ou quatro jogadores, dependendo da formação tática. A bola bateu em um dos zagueiros! São erros básicos!

A TV é um rádio fotografado. Alguns locutores vibram tanto ou mais do que os do rádio. As rádios precisam se reinventar. A Rádio Globo inventou a "Maria Chuteira" e outras coisas. É uma boa tentativa. Um dia eu espero que apareça um gênio com a "fórmula mágica".

Garrincha

Se Frank Sinatra era “A Voz”, Garrincha era “O Drible”. A maior atuação individual em uma Copa do Mundo foi a do Garrincha em 1962. Nem o Maradona em 1986 o superou.

Ele chegou ao Botafogo com 20 anos de idade depois de ser reprovado em todos os testes. Na maioria das vezes, nem o deixavam entrar em campo ao olhar para aquelas pernas tão tortas. Só que o Arati, na época jogador do Botafogo, foi apitar um jogo em Pau Grande em 1953 e viu o Mane jogando. E no primeiro treino ele arrebentou, driblando o Nilton Santos várias vezes, mas não entre as pernas como contam por aí. Até porque o seu drible era sempre o mesmo, dando um “tapa” na bola na direção da linha de fundo. Como o seu joelho era torto, já pendendo para o lado, ele ganhava um segundo em relação ao marcador, que tinha que mudar a posição do corpo para correr. Todos sabiam, mas ninguém conseguia tirar a bola dele. Só com pênaltis, mas os juízes não marcavam porque desde sempre marcar pênalti a favor do Botafogo é muito difícil! (risos)

Zico

O Zico foi um jogador espetacular, mas sem sorte na seleção. E na sua melhor Copa do Mundo ele nem foi considerado o melhor brasileiro, e sim o Falcão, que foi Bola de Prata da FIFA. Em 1986 ele não devia nem ter ido, estava quebrado. Dava pena ver o Telê conversando com ele como se fosse um inválido. O Zico não pode ser responsabilizado por nada em 1986, porque ele nem deveria está lá. No pênalti perdido contra a França ele fez um belo lançamento para o Branco, que deveria ter sido o cobrador, pois batia forte na bola. O Zico estava frio.

Mas eu acho que sei porque ele insistiu para cobrar. No jogo anterior, contra a Polônia, o Brasil fez 4 a 0 e o último gol foi de pênalti, marcado pelo Careca, que cobrou, muito mal aliás, com a autorização do Zico, que já estava em campo. Os jogadores voltaram para o hotel e eu fui para lá esperá-los. No saguão, eu fiquei sentado em um sofá e a Sandra, esposa do Zico, ficou em outro ao lado. Quando o Zico chegou ela nem o cumprimentou, beijou, nada! Falou logo: “Por que você não bateu o pênalti?” O Zico: “Não, eu deixei o Careca bater porque ele está lutando pela artilharia.” Ele rebateu: “Não tem nada que deixar! Quem tem que bater é você! Fica botando azeitona na empada dos outros!” Foi uma bronca daquelas! Então na hora do pênalti contra a França ele deve ter lembrado da bronca que levou. (risos)

Europa x América do Sul

Meus netos vieram para cá para ver Barcelona x Manchester United comigo e ficaram maravilhados com o futebol jogado. Só que os times europeus, por mais estrelas que tenham e por melhor que joguem, normalmente perdem para os times brasileiros. O Internacional ganhou do Barcelona em 2006 e dois anos depois ganhou, em pré-temporada, da Internazionale em Dubai.

Isso acontece porque o nosso futebol é jogado com a bola na frente e tem muito mais velocidade. Os passes dos brasileiros são sempre no “ponto futuro”, como dizia o Cláudio Coutinho. O dos europeus é de pé em pé, bonito de ver, mas eles sempre perdem um ou dois segundos, pois tem que dominar para depois passar. No gol do Internacional, o Iarley dominou, esperou a passagem do Gabiru e passou a bola. Foi um típico gol do futebol brasileiro. Muitos cronistas daqui escreveram que o Barcelona tinha dado um banho de bola no Internacional. Realmente o futebol do time espanhol era mais plástico, mas o Inter foi muito mais eficiente.

A grande vantagem dos sul-americanos sobre os europeus é que os jogadores daqui não têm ensinado os de lá a jogar com o passe em profundidade. O Ronaldinho no Barcelona deixava o Eto’o toda hora na cara do gol sempre com assistências desse tipo. Mas acho que eles não aprenderam. Pior é o jogador brasileiro que vai para a Europa e passa a jogar como eles.

Eu peguei a época em que no Brasil existia o “platinismo”, que era o intercâmbio com uruguaios e argentinos nos nossos times. O América chegou a ter oito “platinos”. O Vasco teve três. E eram os mais hábeis. Os brasileiros não tinham tanta habilidade e aprenderam com os “platinos”, assimilando aos poucos o estilo. E eles mantiveram isso. Veja a habilidade do Conca, por exemplo.

A grande vantagem do Brasil no continente é ter negro no time. Não tem raça com mais aptidão para os esportes. É por causa da flexibilidade, do chamado “jogo de cintura”. E nem sempre o branco a tem, principalmente se for descendente de europeu. Os holandeses já são diferentes. E eles têm muitos negros, vindos da Guiana. Gullit, Rijkaard, Winter...O Van Basten era branco daquele jeito, mas era da Guiana. Por isso ele tinha aquela malemolência. Se a Guiana disputasse o campeonato na América daria trabalho! Uma vez me mandaram um VT de um jogo na Guiana e o goleiro fez um gol driblando todos os adversários. Aquele sim foi um gol de goleiro e não aquele que o chute é empurrado pelo vento.

Hoje os argentinos e os uruguaios são quase tão habilidosos quanto os brasileiros. Os andinos progrediram bastante, mas ainda não chegaram ao nível desses três.

FIFA

A FIFA protege muito o futebol europeu. Quando o Brasil organizou a Copa de 1950, a CBD mandou uma carta para a FIFA perguntando qual era a metragem oficial para os gramados. A resposta: 110 x 75 m. Que são as medidas do Maracanã e do Mineirão. A do Serra Dourada é uma das maiores do mundo: 118 x 80. Quase um latifúndio! (risos) E a FIFA aceita no máximo 120 x 90.

A partir do Mundial de Suíça ele mudou para 105x68 m. O Manga na Copa de 1966 batia na bola e a jogava na área do adversário em jogos internacionais. No Maracanã ela só atingia o grande círculo. Para quem joga marcando é muito mais vantajoso. Eles fazem tudo para neutralizar a superioridade técnica dos sul-americanos.

Lá eles não respeitam os 9,15 m de distância da barreira. No máximo 6m. Por isso eles não adotam o spray. Eu até sugeri que os árbitros levassem uma trena para o campo, daquelas que disparam num toque e medem 10m. Com um passo para trás você está na distância correta.

Arbitragem

Quem tem maior torcida leva vantagem com a arbitragem. O Adriano é nada mais do que um tanque. Empurra e joga muito com o corpo. Mas como as arbitragens para o Flamengo são diferentes, os árbitros não marcam faltas para satisfazer o público.
Eles são pusilânimes porque fazem média. A arbitragem aqui no Rio é lamentável. Hoje os melhores estão no sul do país.

Eu não gosto do Vuaden. Para mim ele apita com uma regra própria. Uma vez me pediram para fazer uma análise da arbitragem dele em uma partida, mas eu disse que não poderia, porque eu simplesmente não conheço as regras que ele usa. Eu costumo chama-lo de “Avuaden” (risos).

O Leonardo Gaciba é o melhor da atualidade. Mas ainda não chegou no nível do Simon no início de carreira. Em seu primeiro ano, o Simon estava rigorosamente em cima de todos os lances, tinha um preparo físico impressionante! Os jogadores nem protestavam!

O Gaciba é o mais técnico, sem dúvida alguma. O problema dele, e de todos os outros, é fazer média e não dar cartões em partidas decisivas de “mata-mata” para não prejudicar os times e o próprio espetáculo na partida seguinte. Está errado, tem que seguir a lei. Eu acredito que seja uma recomendação do departamento de arbitragem.

Nós não chamamos mais os árbitros de “juízes”, porque os juízes de Direito protestaram. Mas em campo eles são efetivamente juízes. E eles precisam ter humanidade. Eu acho errado o árbitro expulsar o jogador por duas faltas que mereceriam apenas o amarelo. Se não machucou, não foi um antijogo declarado, não tem que expulsar! O vermelho é o castigo máximo! É aí que o juiz tem que ter benevolência e sabedoria. Como Salomão, que diante de duas mulheres que diziam que eram a mãe de uma determinada criança, falou que resolveria cortando-a ao meio e dando uma metade para cada uma. A que protestou mais rapidamente e com mais veemência ficou com a criança.

Torcidas

Ninguém torce e distorce mais do que os torcedores. Esse nome foi criado pelo Coelho Neto porque os homens levavam para os estádios, especialmente nas Laranjeiras, uma espécie de palheta como chapéu e as moças iam com luvas. Com o calor, elas as tiravam. E no decorrer do jogo os homens torciam suas palhetas e as mulheres suas luvas. E o Coelho Neto aproveitou o “gancho”.

Internacional

Difícil entender o que houve com o Internacional. Talvez a queda de produção do D’Alessandro e do Taison explique muito dos problemas. O Nilmar também fez muita falta, mas os gols do Alecsandro, de certa forma, compensaram.

João Saldanha

O João Saldanha achava que todo cabeça de área era um “brucutu”, um “cabeça-de-bagre”. Todos eles! Em 1981 estávamos em Goiânia com a seleção e ficamos no mesmo quarto do hotel onde estava hospedada a seleção. Nós éramos muito amigos e só eu aturava sua tosse à noite e o seu hábito de fumar a qualquer hora. (risos) Os jogadores haviam sido liberados para defenderem seus clubes na rodada do Brasileiro. O Batista me chamou num canto do restaurante e me pediu que ligasse a TV no jogo do Internacional contra o Palmeiras e obrigasse o Saldanha a vê-lo que ele iria mostrar que sabia jogar. Eu disse para o Saldanha, que retrucou: “Isso não joga nada! Nem vou perder meu tempo vendo esse cabeça-de-bagre!” E não viu mesmo! Mas eu assisti e o Batista, jogando mais à frente, como segundo homem do meio-campo, fez uma atuação primorosa, marcou dois gols e o Inter enfiou 6 a 0 no Palmeiras. Quando ele voltou, me perguntou se o Saldanha havia visto e ficou desapontado quando respondi que não. O João era muito teimoso!

Mauro Galvão

Foi um dos melhores zagueiros do futebol brasileiro. Ele era muito influenciado pelo Figueroa, que era considerado o melhor zagueiro do mundo em sua época e o Mauro Galvão estava nas divisões de base do Internacional. Mas só copiava no estilo, porque o chileno era muito mais forte e alto. O Mauro saía muito bem do chão e nunca dava chutão, sempre saía jogando com categoria. Era tão bom que chegou a jogar no meio-campo do Bangu em 1987.

Seleção Brasileira

Bastou que o Brasil se esforçasse um pouco contra os EUA para virar o jogo e vencer a Copa das Confederações. Jogo duro foi contra a África do Sul, porque o Joel Santana, como é brasileiro, sabia que os nossos jogadores não gostam de jogar sem espaços. Por isso a seleção historicamente sempre se atrapalha contra times britânicos. Em 1958 o Brasil não venceu a Inglaterra e suou para ganhar de País de Gales. Os jogos contra a Escócia em Copas normalmente são difíceis.

Só no sul do país é que o jogador se acostuma com forte marcação. O Felipe Melo não marcava ninguém quando jogava no Flamengo. Depois que foi para o Grêmio aprendeu a combater e foi para a Europa. Hoje é volante titular da seleção do Dunga. É questão de característica. Talvez seja uma coisa regional, pela proximidade com a Argentina e o Uruguai ou pela colonização européia.

Campeões

Nós aqui mudamos o significado das palavras. Aqui se um time ganha cinco títulos em anos alternados é considerado pentacampeão. Pior é ainda é quando os campeões mundiais de 2002 dizem que são pentacampeões! O Zagallo tem quatro títulos mundiais, mas ele foi apenas bi como jogador em 1958/62.

Campanhas sócio-torcedor

Aqui tem mais clubes do que no Sul. Mas o sucesso de Grêmio e Internacional tem um aspecto cultural forte. O povo no Rio Grande do Sul em geral é mais culto, até pela colonização alemã e de outros países da Europa. E também tem mais poder aquisitivo. Aqui no Rio e em SP quem acompanha futebol é mais o "zé povinho". Ser sócio de um clube custa dinheiro. E é mais fácil lá porque só tem dois clubes grandes. Antes tinha o Cruzeiro, que também era grande e chegou a ser campeão estadual em 1929. Tinha um distintivo parecido com o de Minas Gerais. Eu até sugeri a eles que continuassem com o futebol profissional, mas com o nome com "do Sul" no final, até pela constelação. E ficaria geograficamente correto. (risos)

Os clubes daqui do Rio têm uma enorme desvantagem por não possuir um estádio decente. Só o Vasco da Gama e agora o Botafogo com o Engenhão. Só que o público ainda não descobriu o caminho do Engenhão. Nenhuma torcida lotou o estádio, nem a do Flamengo quando jogou lá. O público já tem o hábito de ir ao Maracanã. E lá tem o problema do acesso, porque ninguém quer ir para lá de trem, que seria o ideal pois deixa na porta. Mas o carioca destruiu os próprios trens e acha que andar neles é atestado de pobreza. Agora é a Supervia que administra, mas antes eles se chamavam "trens suburbanos", o que por aqui soa muito pejorativo. E é um meio de transporte maravilhoso, pois transporta com segurança e rapidez. Mas o pessoal gosta de andar de carro e aí quer estacionamento fácil e complica tudo.

Essas questões regionais são interessantes. Quando o Oto Glória retornou de Portugal ele foi treinar o Grêmio e disse: "Sempre tive vontade de trabalhar na província." Quase o mataram! (risos)

Pontos Corridos

Eu gosto porque o melhor, ou um dos melhores, é o que vence a competição. Eu não gosto é dos três pontos porque empate é derrota e eu acho injusto. O time que está invicto com sete empates perdeu mais pontos do que ganhou, faturou apenas 1/3 dos pontos.

Janela de transferência

É lógico que prejudica os nossos clubes e o futebol no país! E eles levam os jogadores cada vez mais cedo. O Grêmio tinha um lateral-direito ótimo, o Felipe Mattioni, um colosso de jogador, mas que jogou muito pouco entre os profissionais e foi parar no Milan. Assim como os dois laterais gêmeos do Fluminense, Fábio e Rafael, foram para o Manchester United. E já jogam no time de cima!

Tinha que existir um dispositivo legal, que não ferisse a Constituição, que não permitisse a saída até os 21 anos. Mas não dá para brigar com o direito que todos possuem de ir e vir, não é? A própria FIFA podia intervir porque o futebol de alguns de seus afiliados está sendo prejudicado, como Brasil, Argentina e Uruguai. Mas ninguém quer atirar a primeira pedra.

O nosso campeonato perde demais, porque quando um jogador está se firmando no time ele é negociado.

Empresários

Eu fui fazer a abertura do curso de treinadores no Orlando Peçanha, que eu faço todo ano. Um sujeito muito gentil se ofereceu para me trazer em casa, dispensando o táxi pago por eles, e eu aceitei. Nós viemos conversando no caminho e me deu o seu cartão. Eu coloquei no bolso sem olhar e continuei conversando. E ele me perguntou o que eu achava do futebol atual. E eu falei o que penso: que o que causa mais prejuízo ao futebol atual são os empresários. Quando cheguei em casa e olhei o verso do seu cartão estava escrito "agent of players". Sem saber eu o esculhambei. (risos) Mas se permitem que eles ganhem dinheiro com os jogadores não estão cometendo nenhum crime. Não há ilegalidade.

Eu mandei um menino muito bom de bola para o Renê Weber quando estava no América. E ele me respondeu que não podia fazer nada por ele porque não tinha empresário e o clube só aceitava jogadores empresariados. Se aparecer um novo Pelé ou Garrincha sem empresário, o que os clubes vão fazer?

6 comentários:

Michel Farias disse...

Muito bom, muito bom mesmo parabéns!

Gremista Fanático disse...

Parabens pela otima entrevista, Luis Mendes é muito experiente, seu defeito é que é colorado pelo que deu pra perceber no texto.
Cara em meu blog os escudos dos advesarios são menores não sei porque, meu pc não aceita de outra forma, não sei porque? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
valeu a visita Wilson, abraço.
Saudações do Gremista Fanático

Saulo disse...

Que legal esse papo, heim.

Luiz Mendes é um dos melhores jornalistas esportivos que já vi.

cesar afonço disse...

Eu fico imaginando a mesa redonda entre Luiz Mendes, João Saldanha, Nelson Rodrigues e Armando Nogueira...Sonho de todo jornalista.

Muito boa a entrevista, parabéns.

Gustavo Naccari disse...

Incrível!
Realmente incrível essa entrevista.
Vou acompanhar seu blog muito de perto após isso que eu vi.
A-d-o-r-e-i!

www.jogodocraque.blogspot.com

Carlão Azul disse...

Também gostei muito. Lí tudo.

Gostei do que ele disse sobre arbitragem e também sobre a possibilidade de ser criada uma lei que proibisse venda de jogador para o exterior com menos de 21 anos, concordo plenamente.

Abração WH.